foi tudo muito difícil. tudo era muito novo ainda para mim. eu nunca tinha me envolvido com alguém daquela maneira. e junto com todas as minhas aflições eu ainda tinha que guardar durante muito tempo aquilo só para mim.
é engraçado que a gente tenta se iludir e fantasiar situações na cabeça para tornar as coisas menos difíceis. ver graça na mentira. nada mais falso. tentar não ver a dor que está escancarada na sua frente.
falar desse relacionamento é bastante pesado. foi muita coisa vivida e mal resolvida. o fim da relação foi péssimo.
mas o que eu queria falar na verdade é que quando "redescobriram" em casa sobre minha orientação eu pensei em ir morar fora. na verdade, o dia em si foi muito ruim. foi horrível.
minha irmã mais velha já sabia. eu pedi a ela em uma conversa reservada que não contasse aos demais em casa. mas não adiantou. um dia tudo explodiu. eu lembro até hoje de ouvindo a situação do meu quarto e torcendo para aquilo não ser realidade. mas era. logo em seguida, choros, discussões, olhares recriminadores. o doente social tinha voltado.
não tenho certeza. mas acho que nesse dia eu dormi trancado no banheiro já que os quartos não tinham mais chaves desde os meus 13 anos por conta da primeira descoberta...sim...todas as vezes que eu lembrava que ninguém mais em casa podia trancar a porta do caso também lembrava que era por minha causa...
enfim. naqueles dias eu pensei em sair de casa. e tive uma conversa completamente bizarra com meu pai. ele me disse que se eu quisesse ficar em casa teria que me submeter a três regras: não levar nenhum homossexual em casa, não falar com nenhum homossexual no celular e não usar redes sociais.
e eu aceitei. e até hoje não sei porquê. é algo que eu ainda preciso refletir.
a primeira regra foi cumprida. nunca mais ninguém que eu conhecesse foi em casa. a partir dos 18 anos minha família nunca conheceu mais meus amigos. minha família não faz ideia de quem sejam meus amigos e como eles são pessoas importantes para mim.
a segunda regra foi burlada. logo em seguida eu ganhei um celular com chip pré-pago...meu pai ficou bravo por isso...
e a terceira foi aos poucos sendo descumprida...mas eu só tive privacidade novamente na internet quando comprei meu próprio computador.
dos 18 aos 23 anos eu vivi sob essas normas. foi muito difícil. me causou vários traumas que eu tenho até hoje. jamais me sentirei confortável na casa dos meu pais. não sinto que lá é minha casa de jeito nenhum. para mim é uma prisão. um lugar onde sou vigiado o tempo todo. onde me sinto muito mal. por isso não quero voltar para lá de jeito nenhum.
é triste ter esse sentimento sobre a casa dos meus próprios pais. me sinto bastante desconfortável. mas não posso ficar fingindo algo que não existe. a realidade é essa. e eu preciso ficar bem para poder enfrentar a vida.
No comments:
Post a Comment