Sunday, December 27, 2015

meninas para namorar meninos para transar

há muito tempo queria ter escrito sobre isso. é importante eu desabafar sobre como foi construída minhas relações sociais ao longo da minha adolescência.

quando eu tinha 13 anos e finalmente entendi o que estava acontecendo queria poder ter um vida relativamente normal. por isso, quis introduzir os acontecimentos "ocultos" na vida "real". infelizmente não deu certo.

a partir do momento em que eu vivi novamente uma nova mentira, até maior, estabeleci os piores comportamentos sociais na minha vida que refletem até hoje muito em mim.

já que eu só poderia namorar "oficialmente" meninas, eu teria que simplesmente ter relações momentâneas e escondidas com meninos.

enquanto eu podia ir para onde quiser, inclusive dentro de casa, com essas minhas "namoradas" eu sabia que estava o tempo todo me enganando. afinal era só surgir uma oportunidade para beijar um cara na rua que meu coração já acelerava e eu sabia que era realmente aquilo que eu gostava.

porém, essas situações momentâneas eram raras. isso desenvolveu em mim vários traumas. primeiro dificuldades para namorar caras. para expor publicamente minha sexualidade. também de achar que me relacionar escondido pode ser mais prazeroso ou interessante. fazer as coisas escondidas parece ser o que "mais deu certo" na minha vida. e por fim também desenvolveu a minha dificuldade de ter amigos gays.

tudo isso dói muito dentro mim. compreender que todos esses traumas decorrem do fato de eu ter sido proibido de poder crescer socialmente conforme meus interesses e gostos. de ter tido uma dupla adolescência. de ter que aprender a mentir muito. a parecer quase um psicopata de tanto que eu menti. tudo isso fez muito mal em mim. expor isso e desabafar é apenas o primeiro passo para eu lidar com tudo isso.

Friday, December 25, 2015

natal

todo natal é a mesma coisa. momento de reunir a nossa família, aqueles quem amamos.

no entanto, para mim não é bem assim.

é engraçado no natal ver meus familiares e possíveis pessoas que se tornarão novos membros da minha família.

já eu não posso ter alguém que tornarei membro da minha família.

daí é impossível não me perguntar quem sou eu nessa família. por que tenho menos direitos? por que tenho que fingir ser algo que não sou? por que não posso viver plenamente como sou? há quem ainda diga que eu só estou pensando em mim, que estou sendo egoísta. egoísta? fui egoísta durante todos esses anos da minha vida? claro que não.

Friday, December 18, 2015

eu posso

hoje eu sei que se eu quisesse poderia ter feito tudo diferente. poderia ter enfrentado todos aqueles que me impediram de viver meus sonhos. de ser feliz.

e sempre a vida me traz essa questão. enfrentar esses medos do passado ou não? é muito difícil. existe sempre dentro da minha cabeça um medo. medo de estar fazendo a coisa errada. medo de falhar. medo por me achar incapaz.

mas eu sei que estou errado quando penso assim.

quase perdi minha maior alegria desse momento. meu grande amor.

não vou fazer como no passado. vou dessa vez seguir em frente. vou enfrentar todos os meu medos. eu preciso me libertar deles.

Tuesday, November 24, 2015

o dia em que eu fui preso


No meio do ano passado, eu fui preso pela primeira vez pela polícia. Foi bem tenso a situação. Os detalhes estão descritos no vídeo. Mas queria falar sobre depois. Jamais imaginei que seria tão difícil.

É difícil falar. É realmente difícil. No momento em que você está nas mãos da polícia tudo pode acontecer. Você sabe que tudo pode acontecer. No começou eu pensei em ficar em silêncio e demonstrar tranquilidade. Mas não adiantou. Começou a tortura psicológica junto com a torção nos meus braços algemados. A partir dali eu pensei "que droga vou apanhar". Daí comecei a me preparar para o pior. Daí tentei começar a tentar não pensar em nada...fugir dali...para não sentir as dores que viriam...Mas não adiantava. Eles queriam que eu de alguma maneira respondesse às agressões, nem que fosse chorando. Foi aí que eu comecei a ter medo. O medo é a pior sensação porque você começa a imagina o pior. "E se eu levar um tiro? E se eu for estuprado?" Tudo passava na minha cadeça....Ficar pelado foi inacreditável. Ali eu não tive dúvidas de qualquer coisa poderia acontecer. Ainda mais quando eu me dei conta de que ninguém sabia onde eu estava de fato. Me senti ninguém. Totalmente inexistente. Não parecia real. Mas era.

Acho que essa sensação de se sentir um lixo. Incapaz. Impotente. Junto com as dores no corpo trouxe consequeências enormes na minha cabeça que eu não sei dimensionar. Difícil também vou enfrentar a realidade depois. A dimensão do caso foi importante para denunciar um problema social. Mas por outro lado foi muito difícil encarar os olhares das pessoas ao meu redor de desconfiança, reprovação, curiosidade, etc. Foi muito difícil voltar à mesma rotina de antes. A partir dali minha rotina mudou. Não queria ir para a faculdade. Não queria entrar na sala de aula. Não queria encarar tudo aquilo.

Ao mesmo tempo, tive que ser forte. Tive que enfrentar minha família e ao mesmo tempo tranquilizá-los. Fingir que eu estava tranquilo quando na verdade não estava.

Nessa época eu também estava numa crise no meu antigo relacionamento.

Enfim, fiquei totalmente perdido.

Parece que até hoje, desde ali, muito coisa ainda não voltou ao normal. Talvez nunca volte. Não sou o mesmo.

Aprendi que eu tenho que ter paciência comigo.  É o que eu tenho tentado todos os dias.

Friday, November 20, 2015

normas da prisão

quando eu completei 18 anos tive meu primeiro namorado pra valer. foi o meu maior relacionamento até hoje. o armário era cruel. tanto para mim quanto para ele. 

foi tudo muito difícil. tudo era muito novo ainda para mim. eu nunca tinha me envolvido com alguém daquela maneira. e junto com todas as minhas aflições eu ainda tinha que guardar durante muito tempo aquilo só para mim. 

é engraçado que a gente tenta se iludir e fantasiar situações na cabeça para tornar as coisas menos difíceis. ver graça na mentira. nada mais falso. tentar não ver a dor que está escancarada na sua frente.

falar desse relacionamento é bastante pesado. foi muita coisa vivida e mal resolvida. o fim da relação foi péssimo. 

mas o que eu queria falar na verdade é que quando "redescobriram" em casa sobre minha orientação eu pensei em ir morar fora. na verdade, o dia em si foi muito ruim. foi horrível. 

minha irmã mais velha já sabia. eu pedi a ela em uma conversa reservada que não contasse aos demais em casa. mas não adiantou. um dia tudo explodiu. eu lembro até hoje de ouvindo a situação do meu quarto e torcendo para aquilo não ser realidade. mas era. logo em seguida, choros, discussões, olhares recriminadores. o doente social tinha voltado. 

não tenho certeza. mas acho que nesse dia eu dormi trancado no banheiro já que os quartos não tinham mais chaves desde os meus 13 anos por conta da primeira descoberta...sim...todas as vezes que eu lembrava que ninguém mais em casa podia trancar a porta do caso também lembrava que era por minha causa...

enfim. naqueles dias eu pensei em sair de casa. e tive uma conversa completamente bizarra com meu pai. ele me disse que se eu quisesse ficar em casa teria que me submeter a três regras: não levar nenhum homossexual em casa, não falar com nenhum homossexual no celular e não usar redes sociais. 

e eu aceitei. e até hoje não sei porquê. é algo que eu ainda preciso refletir. 

a primeira regra foi cumprida. nunca mais ninguém que eu conhecesse foi em casa. a partir dos 18 anos minha família nunca conheceu mais meus amigos. minha família não faz ideia de quem sejam meus amigos e como eles são pessoas importantes para mim.

a segunda regra foi burlada. logo em seguida eu ganhei um celular com chip pré-pago...meu pai ficou bravo por isso...

e a terceira foi aos poucos sendo descumprida...mas eu só tive privacidade novamente na internet quando comprei meu próprio computador.

dos 18 aos 23 anos eu vivi sob essas normas. foi muito difícil. me causou vários traumas que eu tenho até hoje. jamais me sentirei confortável na casa dos meu pais. não sinto que lá é minha casa de jeito nenhum. para mim é uma prisão. um lugar onde sou vigiado o tempo todo. onde me sinto muito mal. por isso não quero voltar para lá de jeito nenhum. 

é triste ter esse sentimento sobre a casa dos meus próprios pais. me sinto bastante desconfortável. mas não posso ficar fingindo algo que não existe. a realidade é essa. e eu preciso ficar bem para poder enfrentar a vida.

Saturday, November 14, 2015

tenho certeza

"eu tenho quase 40 anos e eu posso te dizer com certeza que você não é gay, que é somente uma fase ou confusão sua". eu ouvi essa frase do meu pai quando eu tinha 13 anos. nesse dia eu achei que eu fosse apanhar dele. sempre foi muito difícil ter algum diálogo com ele. não que ele tenha sido um pai violento, pelo contrário, ele sempre foi na dele e me tratou bem na medida do possível. mas ele sempre foi muito conservador e machista. toda vez que aparecia qualquer cena que fosse remetida a homossexualidade ele fazia questão de fazer alguma piada. eu até hoje não entendo o porquê. minha família é composta por três mulheres (mãe e duas irmãs) e eu e meu pai. nunca houve um outro "macho" ao lado dele em casa, mas ele sempre viu necessidade nisso.

eu ouvi essa frase na semana que eles "descobriram" que eu era gay. na verdade, eles já estavam desconfiando de algo. afinal, é no mínimo preocupante seu filho de 13 anos começar ir para a balada de madrugada e você não fazer a menor ideia com quem, não?

e nessa semana, meu pais chegou um dia em casa e me chamou para conversarmos. só eu e ele. mas ele foi sereno. a primeira coisa que ele disse foi: "eu nunca fui numa balada gay". havia ternura naquela conversa. o que eu lembro ter respondido a ele foi: "eu acho tenho certeza que eu sou gay".

depois daquela conversa, senti que as coisas poderiam ser melhores. que eu poderia parar de mentir. eu nunca gostei de mentir. mas durou pouco tempo. logo em seguida veio as imposições. as terapias e o diagnóstico social da minha "doença".


Monday, November 9, 2015

balada

lembro até hoje o primeiro dia em que eu fui numa balada gay: eu tinha somente 13 anos.

na verdade, o primeiro contato que eu tive com relações entre pessoas do mesmo sexo para além da pornografia vasta na internet, foi uma série na televisão paga. Nesse série, um grupo de rapazes e moças conviviam em um bairro gay. Tudo muito óbvio, tudo muito perfeito. Perfeito demais para qualquer garoto como eu naquela época idealizar aquele mundo totalmente contrário à prisão que eu vivia diariamente.

foi ali vendo na televisão aquele mundo que eu quis poder viver algo pelo menos um pouco semelhante.

e eu consegui.

lembro de eu chegando no bairro dos jardins em sp e de repente vários rapazes estavam na rua e alguém de dentro do carro me diz que provavelmente, pela proximidade da balada, também eram gays. imediatamente, a única coisa que pensei foi: todos??? todos eles? então não sou só eu? não são somente alguns.

e ali naquela descoberta quase que mágica eu pude me manifestar parte de mim até então reprimida. não era vontade de beijar ou algo do tipo. era vontade de poder ficar tranquilo em algum lugar. de poder sorrir, dar risada, fechar os olhos e relaxar. era apenas isso. mas era muito para mim.

essa sensação de libertação total fez daquela noite e possibilidade de ter momentos felizes na vida. tanto que na semana seguinte, no colégio eu não pensava em outra coisa. aliás, ali eu não tive mais dúvidas de que nada estava confuso na minha cabeça, pelo contrário, era a certeza de quem eu realmente era.

por conta da especulação imobiliária essa balada não existe mais. hoje existe um banco no lugar. já o bar próximo a ela em que eu fiquei bêbado somente por tomar uma cerveja e um pouco de capirinha, hoje é um buffet de festas infantis. mas o estacionamento continua existindo. a lixeira da rua em que eu me apoiei durante parte daquele dia também continua ali. fico feliz quando passo por ali. paro um pouco e fico lembrando dessas memórias boas. memórias de momentos alegres da minha vida.


Saturday, November 7, 2015

até quando?

até quando esse sofrimento? percebo que existem dores enormes guardadas dentro de mim. e o único jeito de seguir em frente é escondê-las de modo que eu não as encontre. há quem diga o inverso. que temos que liberar tudo de ruim que há dentro de nós. é o que tenho buscado fazer aqui. mas percebi pela primeira vez que há certas dores que ainda não sei lidar. quem sabe um dia eu consiga.

é um saco viver assim. 

Wednesday, November 4, 2015

Diário

Quando eu tinha 12 anos eu criei um diário. Naquela época, eu era bastante criativo e gostava muito de escrever. Passava várias tardes escrevendo roteiros de filmes, contos de histórias e inventando personagens. Também gostava de escrever poemas.

Com o passar do tempo, esse diário serviu para eu desabafar. A maioria dos textos estavam relacionadas com a opressão em casa e a minha "descoberta" sexual.

Eu escondia esse diário atrás de uma escrivaninha no meu quarto que era pesada e por isso dificilmente seria arrastada por alguém. Eu escondia pois sabia que nesse diário estava o segredo do meu armário.

Meses depois, com os problemas decorrentes da não aceitação ou questionamento sobre a minha orientação pela minha família, alguém pegou esse diário de mim. Até hoje não sei quem foi e provavelmente nunca saberei. Dói falar sobre isso. Dói saber que alguém destruiu as melhores recordações da minha infância. Dói não poder relembrar como eu fui uma criança maravilhosa. E dói saber que eu não pude fazer nada. É como se parte do meu passado tivesses sido tirado a força de mim. E foi.

Wednesday, September 23, 2015

prisão

muito difícil viver. mais difícil viver numa eterna prisão. saber disso é ainda pior.

sair e não poder ter liberdade para expressar seus sentimentos. ter medo e vergonha. 

também tenho receio de sentir medo. estou cansado de já sentir tanto medo. não é mais fácil evitar? evitar de ser quem eu sou...e isso só piora ainda mais as coisas. 

isso me deixa muito mal. talvez eu nem perceba o quanto isso influencia negativamente na minha cabeça. não relaciono muito as coisas. sempre acho que o problema sou eu. que eu é quem fico mal. que eu tenho que mudar minha postura. meu modo de vida. tentar reorganizar minha rotina para melhorar. mas não é assim. preciso aceitar que a vida é difícil e eu que me esforço bastante.

Saturday, September 12, 2015

ANTIGOS "AMIGOS"

Fui "convidado" - coisa de rede social - para um reencontro após 10 anos com as pessoas da escola onde estudei. Já fui convidado para um reencontro com as pessoas da faculdade que me formei. Todos os dias vejo fotos publicadas nas redes sociais dos antigos grupos de amigos que se formaram na escola ou na faculdade que persistem até hoje.

Eu nunca tive isso. Na verdade, minha vida ali nesses espaços sempre foi de privação pessoal da minha existência. Isso sem falar nos momentos de ridicularização e violência contra mim. Ainda assim, tive bons e divertidos amigos. Mas não possuo nenhuma relação com nenhum deles. Até porque construi com eles uma relação falsa ao não poder me apresentar verdadeiramente a eles.

Alguns casariam, como agora está ocorrendo, outros ficariam noivos...filhos...etc e etc...Minha vida não seria assim tão simples eu já sabia perfeitamente. E assim eu sempre me apoiei em relacionamentos abusivos e descontrolados. Era onde eu sempre me apoiei diante de tanta solidão e frustração.

Aos poucos, foi surgindo um novo tipo de relação com os amigos. Hoje vários deles já me conhecem mais, mesmo com minha dificuldade de me abrir por conta do meu passado. E, aos poucos, relacionamentos duradouros vão sendo construídos. Mas ainda existe na minha cabeça uma desconfiança com esses relacionamentos. É bem difícil. Estou reapreendendo ou talvez agora sim vivendo de verdade.

Saturday, September 5, 2015

cura gay

durante quase dois anos da minha vida, tive que me submeter a sessões de cura gay oferecidas por um psiquiatra evangélico. confesso que quando me impuseram eu não resisti. até pensei "tenho apenas 13 anos talvez eu esteja de fato em dúvida"....

no início eu me questionava de maneira não muito clara o que eu estava fazendo ali. não via o menor sentido. eu me via obrigado e encontrar quais eram os sintomas daquela doença - social - que diziam que eu tinha.

e foi ali que eu percebi que eu só teria uma saída. entrar naquele jogo. era o jogo que todos ao meu redor queriam: a minha aceitação como um doente e que queria ser curado.

a partir daí eu iniciei o meu "tratamento". confesso que era muita confusão na minha cabeça. por um lado, eu pensava que seria tão mais fácil se de fato eu pudesse ser curado. por outro lado, eu tinha consciência de que aquilo era uma grande farsa. lembro até hoje da imagem da minha mão contando na parede os anos que faltavam para eu completar 18 anos. esses seriam o anos de armário.

e  o engraçado é que foi exatamente assim. aos 18 o balde de água fria caiu sobre todos ao meu redor e caiu a máscara do farsante evangélico.

os anos de armário foram um alívio para mim. durante alguns anos pude não ser visto mais como um doente em casa. depois tudo voltou como antes. mas dessa vez eu resisti. e continuo resistindo. apesar de me verem e me tratarem como um doente - isso dói muito - eu luto para ter a certeza de que não tenho nenhuma doença. na verdade essa sociedade capitalista em que vivemos é que é doente.

por fim, não é uma opção. se eu pudesse optar eu realmente gostaria de correr risco de vida? só se eu for suicida ou gostar de sofrer. e não é o caso.

Monday, August 10, 2015

para não enlouquecer

muitos os problemas. só aumentam.

decepções então...nem há como dimensionar.

mas a verdade é que na sociedade em que vivemos só há uma forma de suportar os problemas para não enlouqecer.

lá no fundo, temos que ser indiferentes. porque se quisermos sentir toda a dor que cada problema traz consigo não há como suportar.

esse tem sido o meu atual dilema. porque para mim é muito difícil não me envolver. minha cabeça dói. muito. mais do que as pessoas imaginam. as vezes chega a me faltar ar. a vezes quero um droga bem forte só para me anestesiar. e não sentir a dor dessa vida.


Monday, July 6, 2015

amor diferente

difícil gostar e amar. difícil me controlar. não ser possessivo. não ser idiota. não ser o que não quero ser.

tem sido diferente. mudei muito. aprendi a ter reflexos sobre meus erros e ser mais sensível.

estou tentando. olho para o passado e me envergonho de muita coisa. na verdade, me envergonho de mim durante várias vezes ao dia. enfim, me envergonho de quem sou. mas é isso quem sou hoje. e vou me enganando e me aturando.

pelo menos, dessa vez estou menos sozinho.

Sunday, May 10, 2015

domingo

Todo domingo é muito difícil. Muita tristeza. Sempre a frustração de que poderia ter me divertido no fim de semana. E daí surge a ideia de sair domingo a noite. Fiz isso semana passada. Hoje não fui. Agora, estou aqui. Me sinto bem por não ter saído. Pois sei que vou conseguir acordar cedo amanhã e melhor. Preciso entender isso. É muita frustração na minha cabeça. Só de pensar que amanhã tenho que ir pra faculdade e pro trabalho já dá vontade de desistir. Vontade de fugir para outro lugar. Pena que não tem jeito. A vida é assim. Ficou tudo uma bagunça. E agora não tem mais jeito, pra onde fugir. Sensação de que minha imaturidade destruiu coisas que consegui construir. Talvez seja isso mesmo. Mas agora tenho que encarar os fatos. Sempre fico vivendo de lembranças e comparando o presente com o passado. Até quando? Tenho que aceitar o presente e pensar no que eu quero pro futuro. Só assim vou conseguir me organizar na vida.

Sunday, April 26, 2015

ontem

ontem eu te vi. te vi com ele. eu vi ele primeiro. quando percebi quem era fiquei sem graça. eu não posso me relacionar com você. eu faço mal para você. quero que você seja feliz. eu fiquei incomodado. saí e fui beber todas. não por ciúme. mas por tristeza. por mais uma vez me sentir derrotado. de não dar certo na vida. peço desculpas pelo mal que te fiz e fico feliz por você parecer estar bem. espero um dia que eu melhore e possa ser feliz com alguém também.

Friday, April 24, 2015

sozinho

sim. sou. obrigado. rs. não parece né? sempre rodeado de pessoas. sempre arrogante. melhor que os outros. tudo não passa de uma casca de proteção para minha dores e minhas aflições. defesa. foi assim que tive que me treinar para aguentar a vida. no fundo não sou nada disso. saiba disso.

Tuesday, April 21, 2015

na pior

estou na pior. acho que ninguém percebe ou imagina quanto. eu escondo. vivo o meu teatro. é sempre assim. deveria procurar ajuda médica? tomar remédios? não sei se a solução é eu me dopar pra engolir a vida melhor.  sei que estou errado ao pensar assim. é aí que me sinto um derrotado. de não ter coragem de enfrentar minha dores e minha vida e seguir em frente. eu sinto como se estivesse estagnado. mas a vida segue em frente e não para. cada vez estou mais velho. e sem perspectivas. estou preocupado comigo. não sei por onde começar. nada tem feito muito sentido. tudo tem dado muito errado. é muita dor. minha cabeça as vezes dói. sinto uma agonia enorme dentro de mim. não desabafo com ninguém. não consigo fazer nada direito. me sinto um derrotado na maioria das vezes. escondo isso. me mostro orgulhoso. mostro que estou fazendo as coisas por opção e feliz. não é verdade. não sinto dono da minha vida. me sinto num abismo. dói bastante isso. não sei por onde começar. as vezes acho que pra começar a resolver vai doer ainda mais. e agora?

Sunday, April 5, 2015

culpado

"como foi ontem a festa? se divertiu? quais dos seus amigos estavam lá? você conheceu alguém? está saindo com alguém? você namora? você está apaixonado? você está sofrendo? por que você está chorando? por que você está desanimado?"

essas perguntas parecem perguntas recorrentes em uma família. de fato, são. mas nunca foram dirigidas a mim.

hoje, mais uma vez, me senti assim. ignorado. desrespeitado. e culpado. não queria que as coisas fossem assim. tudo poderia ser tão mais fácil e simplesmente normal.

pensei em me afastar. talvez seja a única forma de acabar com essa tristeza intensa dentro de mim que fica me matando aos poucos e me impedindo de levantar a cabeça e viver. mas hoje me sinto tão frágil para conseguir ter forças para me afastar. não tenho quem me ajude também como tive em outro momento no passado...

queria ter relações sociais em que eu pudesse ser eu.

queria poder sempre olhar no espelho e ver o meu reflexo.

queria tirar essa mordaça da minha boca.

queria tirar essa dor de dentro de mim.


Tuesday, January 6, 2015

Política

Quem me conhece hoje ou acha eu uma pessoa estranha ou uma pessoa batalhadora pelo meu envolvimento com a política.

Acho que tudo isso começou desde pequeno. Sempre me incomodei com injustiça. Sempre quis ajudar os outros da maneira que pude. Também sempre convivi em casa com a presença do machismo.

Quando eu estava na sétima série, decidi fazer parte do grêmio estudantil. Nem sabia direito o que era. Daí, surgiu a ideia de arrecadar alimentos e brinquedos para doação.

Comecei a me envolver com trabalho voluntário. Eu não entendia nada de política.

Fiz muito trabalho voluntário. Muito mesmo. Cheguei até a me envolver em um programa de jovens líderes que fazem trabalho voluntário.

E foi somente quando eu fui votar pela primeira vez que as coisas começaram a mudar na minha cabeça.

E tudo se desmoronou.

Abandonei totalmente o trabalho voluntário. E comecei a me envolver com a política.

Política não é para se dar bem, é para mudar o mundo. Isso é o que faz sentido na minha cabeça.

Todo dia escuto que o que eu faço não serve nada e só faz eu ser um derrotado e sem futuro.

Muitos não entendem. Espero que um dia entendam.

E ser gay nisso tudo?

Mas o que a sua vida pessoal tem a ver com suas atividades políticas?

Hoje em dia respondo: TUDO!

Monday, January 5, 2015

13 anos

Toda vez que digo que a primeira vez que fui em uma balada gay (como diziam) eu tinha 13 anos muitos não acreditam. Nem eu. Foi precipitado? Talvez.

Foi mágico. Lembro quando o carro se aproximou da rua da consolação.

Homens na rua. Pareciam todos olharem para dentro do carro.

Eles ali no bar são gays? Todos eles? Não é possível? Até então era só eu e alguns na internet...

Quando desci do carro confesso que meu coração acelerou. De repente, eu estava ali na calçada de uma rua cheia de garotos bem arrumados. Naquela época, a mora era usar camisa. Percebi que isso está voltando agora.

Enfim, mas a lembrança mais marcante foi quando dois meninos de aproximaram do grupo que eu estava e cumprimentaram um garoto do meu lado com um beijo. UM BEIJO NO ROSTO!

Não acreditei. Beijo no rosto? Então é assim que se cumprimentam? Eu era um peixe fora do aquário respirando ar pela primeira vez.

Entrei num bar. Fiquei 15 minutos. Já saí de lá quase bêbado.

Depois entrei na balada. Eu não sabia dançar. Só percebi isso hoje. E também não sabia beber...Eu tinha apenas 13 anos.

Só pensei nesse dia o resto da semana inteira. Foi um dos dias mais legais da minha vida.

E pensar que hoje em dia aquela rua não possui nenhuma balada ou bar.

Talvez tenha sido precipitado. Mas na minha vida muita coisa tive que aprender e viver por minha conta, sem ajuda de ninguém.

Vagabundo

Não, eu não sou um vagabundo. Apesar de acharem. Na verdade, hoje em dia, pouco me importo com o que pensam de mim. Afinal, já tenho que me privar tanto acerca dos meus desejos que pouco me importa o que achem. Mas lá no fundo gostaria que pelo menos me respeitassem.

É verdade que não estou bem, que preciso organizar muita coisa na minha vida. Mas não entendem o quanto é difícil. Abrir os olhos para tanta coisa em mim não foi fácil. É dolorido. Era mais fácil viver escondido.

Não é tranquilo seu nome sair na imprensa.

Não é tranquilo sentir medo na rua.

Enfim, ele não entendem. Até entendo a parte da preocupação e não acho que estejam errados. Acho que eu erro também.

Não sou um vagabundo.

Sunday, January 4, 2015

Mãe

Difícil falar de alguém que vive em uma prisão. É assim que vejo minha mãe hoje. Algumas vezes penso que eu deveria parar a minha vida e ajudá-la, afinal, ela já fez tanto por mim. Mas a minha vida também já é muito difícil e não sei se eu conseguiria dar conta de tudo isso. Na minha prisão não consigo sair e tirar ela da prisão dela.

Só hoje, depois de compreender a opressão, é que entendo perfeitamente o que minha mãe passa. Amo muito ela. E, apesar da enormes diferenças que temos, respeito muito suas opiniões.


E as namoradas?

Sempre ouvi a pergunta tradicional de fim de ano sobre se eu tinha algum relacionamento ou não. E a resposta sempre era não. Hoje em dia, essa pergunta não é feita mais para mim. No entanto, para os outros sim. Isso dói. Dói também acordar e não poder contar como foi a noite anterior, com quem eu eu saí, onde fui e com quem eu me relaciono ou me relacionei. O pior é ser criticado por não contar, como se quisessem a partir dessa crítica lavar mãos em não quererem saber de jeito nenhum.

E levar os amigos em casa então? Desde 2007 nem pensar...Ninguém sabe quem são eles...Nunca saberão. Como podem conviver com um estranho dentro de casa? Não entendo.

Começando

Começando hoje meu blog. É a primeira vez, na vida, que crio um blog pessoal. Minha intenção não é divulgá-lo amplamente. O objetivo maior é conseguir desabafar sobre situações vividas por mim.

O nome do blog Diário do Armário tem a ver com a dificuldades vividas por conta de minha orientação sexual.

Já tive um diário quando tinha 13 anos. Naquela época ainda não havia blogs. E eu tinha que esconder ele atrás de uma escrivaninha para ninguém encontrar. No fim, encontraram e jogaram fora como uma forma de me fazer esquecer das minhas lembranças. Gostaria de tê-lo comigo...