Wednesday, September 23, 2015

prisão

muito difícil viver. mais difícil viver numa eterna prisão. saber disso é ainda pior.

sair e não poder ter liberdade para expressar seus sentimentos. ter medo e vergonha. 

também tenho receio de sentir medo. estou cansado de já sentir tanto medo. não é mais fácil evitar? evitar de ser quem eu sou...e isso só piora ainda mais as coisas. 

isso me deixa muito mal. talvez eu nem perceba o quanto isso influencia negativamente na minha cabeça. não relaciono muito as coisas. sempre acho que o problema sou eu. que eu é quem fico mal. que eu tenho que mudar minha postura. meu modo de vida. tentar reorganizar minha rotina para melhorar. mas não é assim. preciso aceitar que a vida é difícil e eu que me esforço bastante.

Saturday, September 12, 2015

ANTIGOS "AMIGOS"

Fui "convidado" - coisa de rede social - para um reencontro após 10 anos com as pessoas da escola onde estudei. Já fui convidado para um reencontro com as pessoas da faculdade que me formei. Todos os dias vejo fotos publicadas nas redes sociais dos antigos grupos de amigos que se formaram na escola ou na faculdade que persistem até hoje.

Eu nunca tive isso. Na verdade, minha vida ali nesses espaços sempre foi de privação pessoal da minha existência. Isso sem falar nos momentos de ridicularização e violência contra mim. Ainda assim, tive bons e divertidos amigos. Mas não possuo nenhuma relação com nenhum deles. Até porque construi com eles uma relação falsa ao não poder me apresentar verdadeiramente a eles.

Alguns casariam, como agora está ocorrendo, outros ficariam noivos...filhos...etc e etc...Minha vida não seria assim tão simples eu já sabia perfeitamente. E assim eu sempre me apoiei em relacionamentos abusivos e descontrolados. Era onde eu sempre me apoiei diante de tanta solidão e frustração.

Aos poucos, foi surgindo um novo tipo de relação com os amigos. Hoje vários deles já me conhecem mais, mesmo com minha dificuldade de me abrir por conta do meu passado. E, aos poucos, relacionamentos duradouros vão sendo construídos. Mas ainda existe na minha cabeça uma desconfiança com esses relacionamentos. É bem difícil. Estou reapreendendo ou talvez agora sim vivendo de verdade.

Saturday, September 5, 2015

cura gay

durante quase dois anos da minha vida, tive que me submeter a sessões de cura gay oferecidas por um psiquiatra evangélico. confesso que quando me impuseram eu não resisti. até pensei "tenho apenas 13 anos talvez eu esteja de fato em dúvida"....

no início eu me questionava de maneira não muito clara o que eu estava fazendo ali. não via o menor sentido. eu me via obrigado e encontrar quais eram os sintomas daquela doença - social - que diziam que eu tinha.

e foi ali que eu percebi que eu só teria uma saída. entrar naquele jogo. era o jogo que todos ao meu redor queriam: a minha aceitação como um doente e que queria ser curado.

a partir daí eu iniciei o meu "tratamento". confesso que era muita confusão na minha cabeça. por um lado, eu pensava que seria tão mais fácil se de fato eu pudesse ser curado. por outro lado, eu tinha consciência de que aquilo era uma grande farsa. lembro até hoje da imagem da minha mão contando na parede os anos que faltavam para eu completar 18 anos. esses seriam o anos de armário.

e  o engraçado é que foi exatamente assim. aos 18 o balde de água fria caiu sobre todos ao meu redor e caiu a máscara do farsante evangélico.

os anos de armário foram um alívio para mim. durante alguns anos pude não ser visto mais como um doente em casa. depois tudo voltou como antes. mas dessa vez eu resisti. e continuo resistindo. apesar de me verem e me tratarem como um doente - isso dói muito - eu luto para ter a certeza de que não tenho nenhuma doença. na verdade essa sociedade capitalista em que vivemos é que é doente.

por fim, não é uma opção. se eu pudesse optar eu realmente gostaria de correr risco de vida? só se eu for suicida ou gostar de sofrer. e não é o caso.