Quem me conhece hoje ou acha eu uma pessoa estranha ou uma pessoa batalhadora pelo meu envolvimento com a política.
Acho que tudo isso começou desde pequeno. Sempre me incomodei com injustiça. Sempre quis ajudar os outros da maneira que pude. Também sempre convivi em casa com a presença do machismo.
Quando eu estava na sétima série, decidi fazer parte do grêmio estudantil. Nem sabia direito o que era. Daí, surgiu a ideia de arrecadar alimentos e brinquedos para doação.
Comecei a me envolver com trabalho voluntário. Eu não entendia nada de política.
Fiz muito trabalho voluntário. Muito mesmo. Cheguei até a me envolver em um programa de jovens líderes que fazem trabalho voluntário.
E foi somente quando eu fui votar pela primeira vez que as coisas começaram a mudar na minha cabeça.
E tudo se desmoronou.
Abandonei totalmente o trabalho voluntário. E comecei a me envolver com a política.
Política não é para se dar bem, é para mudar o mundo. Isso é o que faz sentido na minha cabeça.
Todo dia escuto que o que eu faço não serve nada e só faz eu ser um derrotado e sem futuro.
Muitos não entendem. Espero que um dia entendam.
E ser gay nisso tudo?
Mas o que a sua vida pessoal tem a ver com suas atividades políticas?
Hoje em dia respondo: TUDO!
Tuesday, January 6, 2015
Monday, January 5, 2015
13 anos
Toda vez que digo que a primeira vez que fui em uma balada gay (como diziam) eu tinha 13 anos muitos não acreditam. Nem eu. Foi precipitado? Talvez.
Foi mágico. Lembro quando o carro se aproximou da rua da consolação.
Homens na rua. Pareciam todos olharem para dentro do carro.
Eles ali no bar são gays? Todos eles? Não é possível? Até então era só eu e alguns na internet...
Quando desci do carro confesso que meu coração acelerou. De repente, eu estava ali na calçada de uma rua cheia de garotos bem arrumados. Naquela época, a mora era usar camisa. Percebi que isso está voltando agora.
Enfim, mas a lembrança mais marcante foi quando dois meninos de aproximaram do grupo que eu estava e cumprimentaram um garoto do meu lado com um beijo. UM BEIJO NO ROSTO!
Não acreditei. Beijo no rosto? Então é assim que se cumprimentam? Eu era um peixe fora do aquário respirando ar pela primeira vez.
Entrei num bar. Fiquei 15 minutos. Já saí de lá quase bêbado.
Depois entrei na balada. Eu não sabia dançar. Só percebi isso hoje. E também não sabia beber...Eu tinha apenas 13 anos.
Só pensei nesse dia o resto da semana inteira. Foi um dos dias mais legais da minha vida.
E pensar que hoje em dia aquela rua não possui nenhuma balada ou bar.
Talvez tenha sido precipitado. Mas na minha vida muita coisa tive que aprender e viver por minha conta, sem ajuda de ninguém.
Vagabundo
Não, eu não sou um vagabundo. Apesar de acharem. Na verdade, hoje em dia, pouco me importo com o que pensam de mim. Afinal, já tenho que me privar tanto acerca dos meus desejos que pouco me importa o que achem. Mas lá no fundo gostaria que pelo menos me respeitassem.
É verdade que não estou bem, que preciso organizar muita coisa na minha vida. Mas não entendem o quanto é difícil. Abrir os olhos para tanta coisa em mim não foi fácil. É dolorido. Era mais fácil viver escondido.
Não é tranquilo seu nome sair na imprensa.
Não é tranquilo sentir medo na rua.
Enfim, ele não entendem. Até entendo a parte da preocupação e não acho que estejam errados. Acho que eu erro também.
Não sou um vagabundo.
É verdade que não estou bem, que preciso organizar muita coisa na minha vida. Mas não entendem o quanto é difícil. Abrir os olhos para tanta coisa em mim não foi fácil. É dolorido. Era mais fácil viver escondido.
Não é tranquilo seu nome sair na imprensa.
Não é tranquilo sentir medo na rua.
Enfim, ele não entendem. Até entendo a parte da preocupação e não acho que estejam errados. Acho que eu erro também.
Não sou um vagabundo.
Sunday, January 4, 2015
Mãe
Difícil falar de alguém que vive em uma prisão. É assim que vejo minha mãe hoje. Algumas vezes penso que eu deveria parar a minha vida e ajudá-la, afinal, ela já fez tanto por mim. Mas a minha vida também já é muito difícil e não sei se eu conseguiria dar conta de tudo isso. Na minha prisão não consigo sair e tirar ela da prisão dela.
Só hoje, depois de compreender a opressão, é que entendo perfeitamente o que minha mãe passa. Amo muito ela. E, apesar da enormes diferenças que temos, respeito muito suas opiniões.
Só hoje, depois de compreender a opressão, é que entendo perfeitamente o que minha mãe passa. Amo muito ela. E, apesar da enormes diferenças que temos, respeito muito suas opiniões.
E as namoradas?
Sempre ouvi a pergunta tradicional de fim de ano sobre se eu tinha algum relacionamento ou não. E a resposta sempre era não. Hoje em dia, essa pergunta não é feita mais para mim. No entanto, para os outros sim. Isso dói. Dói também acordar e não poder contar como foi a noite anterior, com quem eu eu saí, onde fui e com quem eu me relaciono ou me relacionei. O pior é ser criticado por não contar, como se quisessem a partir dessa crítica lavar mãos em não quererem saber de jeito nenhum.
E levar os amigos em casa então? Desde 2007 nem pensar...Ninguém sabe quem são eles...Nunca saberão. Como podem conviver com um estranho dentro de casa? Não entendo.
E levar os amigos em casa então? Desde 2007 nem pensar...Ninguém sabe quem são eles...Nunca saberão. Como podem conviver com um estranho dentro de casa? Não entendo.
Começando
Começando hoje meu blog. É a primeira vez, na vida, que crio um blog pessoal. Minha intenção não é divulgá-lo amplamente. O objetivo maior é conseguir desabafar sobre situações vividas por mim.
O nome do blog Diário do Armário tem a ver com a dificuldades vividas por conta de minha orientação sexual.
Já tive um diário quando tinha 13 anos. Naquela época ainda não havia blogs. E eu tinha que esconder ele atrás de uma escrivaninha para ninguém encontrar. No fim, encontraram e jogaram fora como uma forma de me fazer esquecer das minhas lembranças. Gostaria de tê-lo comigo...
O nome do blog Diário do Armário tem a ver com a dificuldades vividas por conta de minha orientação sexual.
Já tive um diário quando tinha 13 anos. Naquela época ainda não havia blogs. E eu tinha que esconder ele atrás de uma escrivaninha para ninguém encontrar. No fim, encontraram e jogaram fora como uma forma de me fazer esquecer das minhas lembranças. Gostaria de tê-lo comigo...
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